segunda-feira, 21 de abril de 2014

São Pedro Claver

São Pedro Claver

Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.

Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.

Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, hoje cidade da Colômbia, na América do Sul. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. E assim, foi enviado para Carque, evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.

Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de quatrocentos mil negros durante os quarenta anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.

Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As conseqüências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos setenta e três anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.

Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte.


Fonte_: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/?system=santo&id=436

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Teorias das Relações Internacionais

As Teorias das Relações Internacionais são instrumentos teórico-conceituais por meio dos quais podemos compreender e explicar os fenômenos relativos à ação humana que transcende o espaço interno dos Estados, ou seja, que tem lugar no meio “internacional”. Teorias costumam ter a intenção de tornar o mundo mais compreensível para seus interlocutores, e em alguns casos de explicar e desenvolver possíveis previsões para o futuro. É lícito falar, nas relações internacionais, de teorias positivistas, isto é, que acreditam em verdades universais e científicas, e de teorias pós-positivistas, ou seja, aquelas que duvidam da legitimidade do conhecimento científico e contestam as bases epistemológicas, metodológicas e teóricas dos discursos dominantes. Podemos ainda falar em meta-teorias, como algumas faces do construtivismo. O realismo e o neo-realismo são as correntes dominantes de pensamento nas relações internacionais ainda hoje embora possamos falar em descentralização e fragmentação no campo.

Realismo e Neo-realismo
A rigor, não se pode falar em origem das relações internacionais nem em teorias absolutamente homogêneas. Tradicionalmente, porém, se considera que o primeiro esforço sistematizado em pensar as relações internacionais ocorreu em 1917 com a fundação na Escócia do primeiro departamento de Relações Internacionais da história. Pensando numa forma de evitar os males da guerra (tendo em vista os desastres da Primeira Guerra Mundial) os cientistas dessa escola debateram formas de normatizar as relações internacionais. Na véspera do início da Segunda Guerra Mundial, contudo, um estudioso chamado Edward Carr criticou pela primeira vez os postulados desses primeiros cientistas em seu livro Vinte Anos de Crise, denominando-os como idealistas, por pensarem o mundo na forma como ele deveria ser ao invés de pensarem o mundo como ele efetivamente era. O realismo se define, sobretudo, baseado na oposição de Carr aos idealistas, ou seja, como uma teoria que vê o mundo da forma como ele realmente é, desvinculado de princípios morais. Não obstante, a expressão mais consolidada do realismo toma forma apenas após a Segunda Guerra Mundial, com a publicação do livro Política Entre as Nações de Hans Morgenthau. Com as mudanças no campo das ciências humanas e a transformação do meio internacional (guerra fria e degelo, expansão das organizações internacionais e aceleração do processo de globalização, etc.), muitos autores, realistas ou não, começaram a criticar e rever a obra de Morgenthau, oferecendo visões muito diversas de realismo, como o realismo estruturalista de Kenneth Waltz, cuja obra Teoria Da Política Internacional, de 1979, teve um impacto profundo nas ciências políticas...
Conceitos Realistas
Os realistas partilham algumas características que permitem que muitos autores os reúnam em um só grupo teórico. Nas teorias realistas das relações internacionais, que reivindicam um caráter objetivo, empírico e pragmático, o Estado é colocado no centro das discussões, pois se considera que o Estado é o ator principal das relações internacionais. Esse Estado sempre atua servindo ao interesse nacional, que em sua forma mais básica é o desejo de sobreviver, mas que também se traduz no acumulo e na manutenção do poder. O poder é tido como um instrumento por meio do qual os Estados garantem sua sobrevivência no meio internacional, este último considerado, de acordo com os realistas, como anárquico, isto é, na ausência completa de ordem. Os realistas não se preocupam com a origem histórica dos Estados, mas os tomam como dados (“naturais”), além de homogêneos, e geralmente pensam a natureza humana de formapessimista, reivindicando como base de suas idéias as obras de MaquiavelHobbes e até mesmo Tucídides. Nas ciências sociais, e também para os realistas, o Estado deve ser definido a partir de sua capacidade de monopolizar a força coercitiva, ou seja, o poder interno sem o qual não há ordem. No plano internacional, contudo, não há “Estado” e, portanto, não há monopólio do poder coercitivo, resultando disso os conflitos e guerras em que mergulha a humanidade freqüentemente. Dessa forma, o âmbito internacional é perigoso, e os Estados devem pensar em estratégias de segurança para impedir que sua soberania (autoridade legítima de cada Estado sobre seu território e sua população) seja ameaçada, e para assegurar sua sobrevivência. Encontramos essa descrição dos fenômenos políticos em Hobbes, que caracteriza a sociedade sem Estados como uma disputa constante de todos contra todos. Muitas vezes os Estados são obrigados a cooperar e fazer alianças para sobreviverem, sobretudo em função de um equilíbrio de poder, isto é, buscando manter um equilíbrio na distribuição de poder no plano internacional. Logo, se um estado se torna muito poderoso, os outros podem formar um bloco para neutralizar seu poder e reduzir seu perigo para a segurança de cada nação. No pensamento realista a ética ocupa espaço reduzido, uma vez que, buscando a sobrevivência, os Estados podem quebrar qualquer acordo e desobedecer qualquer regra moral. A Realpolitik, do alemão “Política Real”, prática da política externa definida como maquiavélica, é normalmente associada a esse pensamento de cunho realista. Auto-ajuda é, para os realistas, a noção de que os Estados só podem contar com a sua própria capacidade no que diz respeito às relações internacionais. Em suma, os realistas enxergam o sistema internacional como um espaço de disputa pelo poder, motivada por um tema saliente em suas exposições: a segurança.
Hans Morgenthau
Hans Morgenthau, o pai do realismo clássico, circunscreveu alguns princípios que, em sua concepção, orientavam a política externa. Para ele, a natureza humana era a referência básica de qualquer análise política, os Estados tinham como objetivo comum a busca pelo poder e a moralidade seria limitada e definida em termos particulares (ver: seis princípios do realismo político3 ). O objetivo supremo de todo o Estado seria a sobrevivência e o poder seria instrumentalizado para servir aos interesses nacionais.O prestígio poderia ser, também, um objetivo dos Estados no sistema internacional.4
John Herz
Contemporâneo de Morgenthau, John Herz trouxe importantes contribuições para o pensamento realista clássico. Embora partilhasse com Morgenthau grande parte do núcleo da teoria realista, Herz admitia que a ética tivesse um papel importante dentro das relações internacionais. Além disso, Herz introduziu no pensamento realista a idéia de dilema de segurança: quando um Estado se sente ameaçado, ele investe em armas, o que faz, em determinado prazo, com que os Estados ao seu redor se sintam igualmente ameaçados, de forma que eles também investem em armamentos. Dessa forma, todos os Estados acabam numa situação pior do que antes em termos de segurança, mesmo que o objetivo original de determinado Estado tenha sido o de aumentar sua segurança.
Liberalismo/ Pluralismo
Nas relações internacionais o Liberalismo, ou Pluralismo, é uma corrente teórica alicerçada principalmente na obra de Immanuel Kant. Normalmente considerados como “idealistas” pelos expoentes das escolas realistas, os liberais tem uma visão predominantemente positiva da natureza humana, e vêem o Estado como um mal necessário. Para os liberais, as relações internacionais podem envolver cooperação e paz, possibilitando o crescimento do comércio livre e a expansão dos direitos universais dos homens. Os liberais enfatizam as relações internacionais como um palco em que atua uma multiplicidade de personagens, como os Estados, as organizações internacionais, as empresas transnacionais e os indivíduos, motivo pelo qual são chamados também de pluralistas. Eles acreditam que as relações internacionais podem assumir um aspecto mais otimista e sem guerras, motivado basicamente pelo livre comércio.
Conceitos Liberais
Embora os liberais tendam a concordar com os realistas no que diz respeito à caracterização do sistema internacional como anárquico, suas teorias normalmente enfatizam os aspectos desse sistema que privilegiam a paz e a cooperação. Para os teóricos do liberalismo, herdeiros do iluminismo de Kant,Montesquieu e do liberalismo de Adam Smith, a guerra seria desfavorável ao desenvolvimento do livre-comércio, de forma que o crescimento do comércio em escala internacional favoreceria a instauração de uma era de paz e cooperação nas relações internacionais. Um conceito particularmente importante desenvolvido pelos liberais é o de interdependência. Num mundo cada vez mais integrado economicamente, conflitos em determinadas regiões ou tomadas de decisões egoístas poderiam afetar mesmo Estados distantes, a despeito de seus interesses. A crise do petróleo é um exemplo de impacto da interdependência. Nesse caso, os Estados tenderiam a cooperar visando evitar situações desastrosas para a economia. A idéia de paz democrática também é muito importante para as relações internacionais hoje. Ela se funda na idéia Kantiana de que Estados com regimes em que prevalece a opinião pública não entrariam em guerra entre si. A opinião pública alteraria os interesses dos Estados, colocando em pauta questões que interessam aos indivíduos, como liberdades, bem-estar social e outras questões de natureza moral.5
Direito Internacional e Instituições
Entre os instrumentos preconizados pelos pensadores liberais como forma de regular os conflitos internacionais estão o direito internacional e as instâncias supranacionaisHugo Grotius, em seu Sobre o direito da guerra e da paz, foi o primeiro a formular um direito internacional, pensando em princípios morais universais (derivados do “Direito Natural”) alcançados por intermédio da razão que cada homem detém. Grotius desenvolveu a idéia de Guerra Justa, isto é, que existem circunstâncias em que a guerra pode ter legitimidade no direito. O iluminista Immanuel Kant, por sua vez, pensava que a formação de uma Federação de Estados refletindo princípios de direito positivo seria a melhor forma de conter as guerras que assolavam a humanidade. Esses dois elementos, o direito e a instituição internacional, são tidos como formas eficientes e legítimas de assegurar a resolução de conflitos sem o uso da força. Certamente inspiradas pelo pensamento kantiano, uma série de entidades supranacionais foram criadas durante o século XIX, como as entidades de cooperação técnica e outras de conteúdo mais explicitamente político, como o Concerto Europeu.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Crise dos Mísseis de 1962

Crise dos Mísseis de 1962


A Crise dos Mísseis de 1962  gerou no mundo um enorme estado de tensão por causa das ameaças feitas entre os Estados Unidos e a União Soviética, as duas grandes potências à época. O episódio envolveu armamento nuclear e deixou a humanidade perto de uma nova guerra mundial.
Charge ilustrando a Crise dos Mísseis. (1)
A Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos Estados Unidos e pela União Soviética, entretanto passaram a ocupar lados opostos ideologicamente no mundo. Com o fim da Segunda Guerra Mundial teve então início a Guerra Fria, a qual colocava de um lado os seguidores da ideologia capitalista dos Estados Unidos e de outro lado os seguidores da ideologia socialista da União Soviética. O armamento das duas potências mundiais era enorme e altamente destruidor, o que impedia um confronto direto entre elas.
Em 1962, um evento chamou atenção do mundo bipolarizado e atentou a humanidade para a possibilidade de uma nova guerra de proporções arrasadoras. No ano anterior os Estados Unidos instalaram mísseis nucleares na Turquia, a atitude gerou desagrado nos soviéticos. A existência de uma base nuclear em tal região causava preocupação aos soviéticos pela possibilidade de um ataque através de uma posição muito privilegiada. Os Estados Unidos tentaram ainda invadir Cuba, ilha da América Central com afinidades com o regime socialista.
No dia 14 de outubro de 1962, os Estados Unidos divulgaram fotos, coletadas através de um vôo secreto sobre Cuba, que apresentavam instalações preparadas para abrigar mísseis nucleares soviéticos. O presidente norte-americano John Kennedy logo comunicou sua população do risco existente com a possibilidade de um ataque altamente destrutivo, encarando o fato como um ato de guerra. Do outro lado do Atlântico, o Primeiro Ministro soviético Nikita Kruschev alegou que a base com os mísseis resultavam apenas de uma ação defensiva e serviriam também para impedir um nova invasão dos Estados Unidos à Cuba.
A Crise dos Mísseis de Cuba soou o alarme no mundo para uma nova guerra durante treze dias, sendo um dos momentos de maior tensão durante a Guerra Fria. A Crise dos Mísseis de Cuba é conhecida pelos russos como Crise Caribenha e pelos cubanos como Crise de Outubro.
Os dias de tensão fizeram a população americana correr na construção de abrigos pela possibilidade de uma guerra nuclear. A situação era aguda, ambas as potências possuíam armamento nuclear em grande quantidade e a ocorrência de ataques seria capaz de destruir completamente o inimigo e até mesmo a população do planeta.
Após o delicado período de negociações, no dia 28 de outubro, Nikita Kruschev conseguiu secretamente fazer com que os Estados Unidos retirassem seus mísseis da Turquia, tendo em contrapartida a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba. O evento, embora alarmante, foi importante para lembrar ao mundo a capacidade de destruição que as armas nucleares possuem, o que levou no ano seguinte, em 1963, à assinatura de um acordo firmado entre Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha proibindo os testes nucleares na atmosfera, no alto-mar e no espaço. Alguns anos mais tarde, em 1968, a medida foi ampliada e 60 países assinaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
Fontes:
(1) http://chandrakantha.com/articles/indian_music/filmi_sangeet/film_song_1962.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_dos_mísseis_de_Cuba
http://www.brasilescola.com/historiag/crise-dos-misseis.htm

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A GUERRA DO VIETNÃ

A GUERRA DO VIETNÃ........ (Fonte: Cola da Web)

A Guerra do Vietnã tem uma importância política sociocultural gigantesca! Porém, não é dado o seu verdadeiro valor... Não podemos ver essa Guerra como um acontecimento isolado entre EUA e Vietnã, pois seu cunho ultrapassa os limites regionais e qualquer tipo de barreira étnica.
Esse conflito nos demonstra claramente a incrível capacidade do ser humano de sentir e expressar seus sentimentos, bem como a constante luta pela liberdade, seja ela política, cultural, religiosa, ou de outro caráter aplicável.
Há uma idéia errônea sobre os verdadeiros "vilões" da Guerra do Vietnã. Atribui-se aos Norte-Vietnamitas o rótulo de "bandidos", porcos sem vergonha, comunistas comedores de criancinha, batem em velhinhas, passam a mão em mocinhas, estupradores, maníacos-pervertidos e outras baixarias mais... contudo essa visão está completamente errada!
Os Norte-Vietnamitas, bem como todos os vietnamitas envolvidos, são vítimas da política de bipolarização global, pela qual o mundo passou após o desfecho da Segunda Guerra Mundial.
Os verdadeiros assassinos são os norte-americanos. Possuidores de regalias e riquezas. Invadiram um país absolutamente miserável e o tornaram mais pobre ainda... Não obstante acabar com milhares de vidas humanas (dois milhões de vietnamitas foram mortos, sem contar os três milhões de feridos e inválidos, as centenas de milhares de órfãos e os doze milhões de indochineses refugiados pelo mundo) o meio ambiente riquíssimo em vida exuberante foi severamente atacado e aniquilado. As baixas vietnamitas perduram até os tempos atuais, sem nenhuma expectativa de mudança significativa.
A verdade é que adolescentes norte-americanos foram enviados para uma missão de matança. Todavia eles estavam assassinando camponeses, mulheres, crianças, trabalhadores e outros jovens como eles, pessoas as quais possuíam uma vida bastante árdua, transformada em pesadelo e morte.
Não é aceitável que "Huey Hogs" (helicópteros do tipo 1 H-C, topo de linha nos anos 60. Poder de transporte de tropas, procura e destruição incrivelmente desenvolvido e eficaz) armados de metralhadoras M-60 (mais de 250 tiros por minuto, capaz de penetrar blindagens e explodir um homem em muitos pedaços), metralhadoras Chain Gun (ainda mais potentes que as M-60. Tecnologia rotatória de disparos), foguetes, granadas, hydras (tipo letal de foguetes) e muita, muita munição sejam incumbidos de exterminar agricultores, vilas inteiras, pessoas sem a mínima noção de treinamento militar e manuseio de armas (armas muito inferiores).
Contudo, o ser humano é espetacular. Mesmo havendo diferenças enormes em prol dos norte-americanos, os vietnamitas conseguiram vencer a batalha pela liberdade e nos deixam a lição de que devemos sempre lutar pelo que acreditamos, mesmo que tudo pareça estar perdido, sempre haverá a magnitude humana, perseverando sobre as pedras do caminho.
História da Guerra
(1945-1954) Foi a seqüência do conflito (1946-1954) entre a França, a qual dominava a Indochina após a Segunda Guerra Mundial, e a Liga para a Independência do Vietnã, comandada pelo líder revolucionário Ho Chi Minh.
Tendo emergido como o grupo nacionalista mais forte que lutou na ocupação japonesa da Indochina francesa durante a Segunda Guerra Mundial, a liga estava determinada a resistir ao domínio colonialista francês e implantar mudanças sociais e políticas.
Seguindo a rendição japonesa para os Aliados em Agosto de 1945, as guerrilhas Vietminh tomaram a capital Hanói e forçaram a abdicação do Imperador Bao Daí.
A 2 de setembro eles declararam a independência do Vietnã e anunciaram a criação da República Democrática do Vietnã, chamado de Vietnã do Norte, tendo Ho Chi Minh como presidente.
A França reconheceu oficialmente o novo Estado, porém a seqüência de desentendimentos políticos e econômicos levaram a um conflito armado entre o Vietnã do Norte e a França no começo de dezembro me 1946.
Com o apoio francês, Bao Daí organizou o Estado do Vietnã, chamado de Vietnã do Sul, no dia primeiro de julho de 1949, estabelecendo sua capital na cidade de Saigon (a atual cidade de Ho Chi Minh). Durante os próximos anos, os EUA reconheceram oficialmente o governo de Saigon, bem como ajudaram-no.
O presidente Harry S. Truman mandou um grupo de assistência militar para treinar os Sul-Vietnamitas no manuseio das armas americanas. Enquanto isso, França e o Vietminh estavam construindo suas forças.
A batalha decisiva aconteceu na primavera de 1954, o Vietminh atacou o forte francês de Dien Bien Phu no norte do Vietnã. Graças a uma estratégia militar brilhante liderada por Ho Chi Minh, dia 8 de maio de 1954 após 55 dias de cerco os franceses se renderam.
No mesmo dia, delegações do Vietnã do Sul e do Norte encontraram-se com delegações da França, Inglaterra, União Soviética, EUA, China Comunista e os outros dois Estados indochineses: Laos e Cambodia na cidade de Gênova para discutir o futuro da Indochina.
Foi feito um acordo o qual dividia o Vietnã temporariamente em dois Estados. Acima do paralelo 17, o norte, seria governado pelos comunistas e ao sul do paralelo seria comandado pelos capitalistas. O acordo estipulava eleições para a reunificação do país, as quais se dariam em 1956.
Em 24 de outubro de 1954, o presidente americano Dwight D. Eisenhower ofereceu apoio econômico direto ao Vietnã do Sul. Foram mandados destacamentos de treinamento militar para as tropas do Sul em fevereiro de 1955.
O suporte americano para o governo vietnamita sulino continuou mesmo após Bao Daí Ter sido deposto em 23 de outubro de 1955, sendo criada uma república no Sul, com Ngo Dinh Diem como presidente.
Um dos primeiros atos de Diem foi anunciar que o seu governo recusaria as eleições bem como o direito dos Norte-Vietnamitas de expressarem seus direitos, alegando que haveria fraude por parte dos nortistas (embora Diem e outros oficiais sulinos foram acusados de práticas eleitorais fraudulentas).
A recusa pelas eleições preestabelecidas se dá pelo fato de que o Sul não estava preparado para enfrentar o Norte. Apesar dos EUA terem ajudado financeiramente, faltou organização política sólida, manutenção do país em si, pois não adianta fornecer poucas condições hoje e elas faltarem amanhã.
Não foi possível criar uma estrutura forte com a ajuda dada pelos EUA. O Sul não necessitava de táticas ou equipamentos militares, mas sim de uma organização político-econômica auto-sustentável. Não se conserta um país fornecendo uma quantia específica de dinheiro, pois esse montante acabará e os inúmeros problemas estarão proliferando.
O Sul não aceitou o prazo das eleições porque ele não tinha a mínima chance de vitória. Os EUA não aceitaram e desde 1955, prepararam os Sul-Vietnamitas para um confronto armado. Podemos notar facilmente que os EUA manipulavam toda e qualquer decisão sulina.
Os Norte-Vietnamitas não admitiram essa palhaçada norte-americana e atacaram instalações militares americanas no Sul, usando o método de guerrilhas. Chamados de Vietcongs, os Norte-Vietnamitas estavam completamente certos, pois o Sul não cumpriu com sua parte no acordo e nem os EUA.
A única forma de acabar com a arrogância americana foi com ataques as suas bases militares. Os americanos são muitíssimos prepotentes, pensam que podem fazer o que querem com qualquer um, pensam que são os donos do mundo. Enganam-se... Os ataques foram intensificados em 1960, o ano em que o Vietnã do Norte proclamou a intenção de "liberar o Vietnã do Sul do domino imperialista americano." Os Vietcongs estavam sendo comandados por Hanói. Para monstrar que o movimento da guerrilha era independente, os Vietcongs estabeleceram sua própria política, conhecida como Frente de Liberação Nacional (FLN), com seu centro de operações em Hanói.
O presidente John F. Kennedy, em dezembro de 1961, enviou a primeira tropa americana, constituída por 400 soldados, a qual chegou em Saigon, com o objetivo de operar duas companhias de helicóptero. Contudo, a hipocrisia americana atingiu o ponto de declarar que essa tropa não era uma unidade de combate. Em sinal de protesto contra a guerra, budistas e outros grupos religiosos suicidavam-se ateando fogo em seus próprios corpos.
Em 1 de novembro de 1963, o regime de Diem foi deposto com um golpe militar. Diem e seu irmão Ngo Dinh Nhu, foram executados. As circunstâncias em volta do golpe não foram explicadas claramente na época. No verão de 1971, contudo, com a publicação de um documento secreto do Pentágono sobre a Guerra, foi revelado que o golpe seria iminente e os EUA estavam preparados para proverem um governo sucessor. Não sei até onde ele estavam preparados, pois Diem começava a discordar da intervenção americana. Talvez o golpe tenha partido dos próprios americanos...
O governo substituto foi um conselho revolucionário liderado pelo Brigadeiro General Doung Van Minh. Seguiu-se uma série de outros golpes, após o regime de Diem, Vietnã do Sul teve 10 diferentes governos em um prazo de 18 meses. Nenhum deles foi capaz de suportar efetivamente a situação militar do país. Um conselho militar sob o comando dos Generais Nguyen Van Thieu e Nguyen Cao Ky foi finalmente criado em 1965, o qual restaurou a ordem política básica. Mais tarde, em setembro de 1967, eleições foram suspensas e Thieu tornou-se presidente do Vietnã do Sul.
Diferente das guerras convencionais, a Guerra do Vietnã não teve "Front" (frente de combate) definido. Usou-se estratégias de guerrilha, como o movimento "hit and run" (atacar e correr), buscando refúgio na floresta. Durante o dia os americanos eram os senhores da situação, porém quando chegava a noite, os Vietcongs espalhavam terror com seus ataques rápidos e eficientes.
No começo de 1960, os Vietcongs infiltraram-se no Sul pela "Trilha de Ho Chi Minh", a qual abastecia as tropas nortistas espalhadas pelo país com suprimentos vindos da China e da URSS. A Guerra se iniciou com o ataque de torpedos Norte-Vietnamitas contra dois destroiers americanos no Golfo de Tonkin.
Em 7 de agosto, o senado americano autorizou um envolvimento militar maior e o presidente Lyndon B. Johnson ordenou que jatos fossem mandados para o Vietnã do Sul e fortes bombardeios no Vietnã do Norte foram iniciados.
De 1964 à 1968 o General William C. Westmoreland foi o comandante das forças americanas no Vietnã do Sul; ele foi substituído em 1968 pelo General Creigton Abrams.
Em fevereiro de 1965, aviões americanos começaram bombardeios regulares com alvos no Vietnã do Norte. Foram cancelados em maio, na esperança de iniciarem um acordo de paz, todavia o Vietnã do Norte recusou todas as negociações. Os bombardeios recomeçaram.
Em 6 de março de 1965, uma brigada de "Marines" (Fuzileiros Navais) chegou em Da Nang, sul da zona desmilitarizada (ZDM). As forças americanas atingiam o número de 27.000 soldados. Até o fim do ano, seriam 200.000.
De fevereiro de 1965 até o fim do envolvimento americano em 1973, as tropas do Vietnã do Sul lutaram principalmente contra a Guerrilha Vietcong, enquanto os EUA e as tropas aliadas enfrentaram os Norte-Vietnamitas em uma Guerra violenta feita em lugares como: o Vale de Dang, Dak To, Loc Ninh e Khe Sanh - todas vitórias dos capitalistas.
Durante a campanha de 1967-1968, o estrategista Norte-Vietnamita Vo Nguyen Giap lançou a famosa Ofensiva Tet (devido ao ano novo lunar vietnamita, em meados de fevereiro): uma séria de ataques maciços em mais de 100 alvos urbanos.
Mesmo tendo um efeito psicológico devastador, a campanha a qual Giap esperava ser decisiva, falhou, forçando o recuo de muitas posições que os Norte-Vietnamitas haviam ganhado. Foram mortos 85.000 Vietcongs.
Apesar da vitória aparente dos norte-americanos, a opinião pública dentro dos EUA era de que estavam lutando por uma Guerra a qual os americanos nunca ganhariam. Em 31 de março de 1968, o Presidente Johnson anunciou um corte nos bombardeios no Vietnã do Norte, com o objetivo de uma nova gestura pacífica.
Houve uma resposta positiva de Hanói, e em maio, tratados de paz entre o Vietnã do Norte e os EUA começaram a tomar forma em Paris. Com o passar do tempo, os tratados se expandiam para incluir o Vietnã do Sul e a FLN Vietcong. Porém, nenhum tratado resultou em paz, todavia os bombardeios ao norte do Vietnã foram completamente suspensos em novembro.
Em 1969, o Presidente Richard M. Nixon, anunciou a retirada de 25.000 tropas americanas do Vietnã até agosto de 1969. Outro corte de 65.000 tropas foi ordenado no final do ano. O programa chamado de "vietnamização da guerra", foi efetivo. Com isso, o Presidente Nixon enfatizava uma responsabilidade maior dos Sul-Vietnamitas.
Contudo nem a redução de tropas americanas ou a morte do brilhante Presidente Ho Chi Minh, em 3 de setembro de 1969, foi capaz de por um ponto final na guerra. Os Vietcongs queriam a completa retirada das tropas americanas do sul, como condição de paz.
Em abril de 1970, tropas de combate americanas entraram no Cambodia, ficando lá somente 3 meses, porém os ataques aéreos no Vietnã do Norte, recomeçaram com força dobrada.
Em 1971, as forças Sul-Vietnamitas tinham um importante papel na Guerra, pois lutavam em vários "Fronts": Cambodia, Laos e no Vietnã do Sul.
Com o passar dos meses de 1971, a retirada dos americanos continuou. Ela coincidiu com uma nova estruturação do exército Norte-Vietnamita, pois estavam planejando uma intensificação nos movimentos da Trilha de Ho Chi Minh no Laos e no Cambodia.
Ataques aéreos americanos no setor da Indochina foram maciçamente reforçados. Na terra, as forças vietnamitas comunistas lançaram ataques efetivos contra as forças do governo no Vietnã do Sul, no Cambodia e no Laos.
Em 1971, as baixas americanas diminuíram significativamente para 1.380 soldados, comparado com os 4.221 mortos em 1970. Por outro lado, as tropas de Saigon sofreram 21.500 baixas: muitos no Cambodia e no Laos, contudo a grande maioria sucumbiu no Vietnã do Sul. Os sulinos tiveram 97.000 mortos em 1971.
Movimentos de paz cresciam dentro dos EUA. Houve muita controvérsia sobre o envolvimento americano na Guerra, levantando manifestações e paciatas em prol da paz.
Esses movimentos foram acelerados com a publicação de algumas atrocidades cometidas pelos americanos na Guerra. A qual teve maior repercussão foi a do Massacre de My Lai, em 1968. A companhia C, Primeiro Batalhão, Vigésima Infantaria, Décima Primeira Brigada, divisão americana, fuzilou 347 civis desarmados, os quais figuram na grande maioria crianças, mulheres e idosos, na vila de My Lai.
Cinco soldados foram a corte marcial. O tenente William L. Calley foi responsabilizado pelo ocorrido, sendo julgado culpado por um júri militar em setembro de 1971.
O extermínio de My Lai só foi divulgado 20 meses após sua ocorrência. Muitas outras atrocidades foram cometidas, pouquíssimas publicadas...
Em 30 de março de 1972, os Vietcongs lançaram um ataque fulminante na ZDM da província de Quang Tri.
Em 8 de maio de 1972, o Presidente Nixon ordenou que minassem os portos do Vietnã do Norte, principalmente o porto de Haiphong, com a finalidade de destruir a rota dos suprimentos, enviados pelos aliados comunistas.
O sistema de transporte nortista também foi atacado, especialmente os trilhos de trem, causando sérios problemas econômicos. A cidade de Quang Tri foi ocupada pelos capitalistas dia 15 de setembro, após 4 meses de ocupação comunista.
Nixon ordenou ataques mais violentos e o uso dos bombardeiros B-52 foi intensificado, sendo realizados ataques 24 horas por dia.
Na noite de 23 de janeiro de 1973, o Presidente Nixon anunciou em cadeia nacional a viabilidade de todos os termos formais para um cessar fogo.
Em 27 de janeiro, em Paris, delegações representando o Vietnã do Sul e do Norte, os EUA e o e o Governo Comunista Provisório do Vietnã do Sul assinaram um acordo acabando com a Guerra e restaurando a paz no Vietnã.
O cessar fogo oficialmente teve efeito dia 28 de janeiro.
No final de maio de 1973, todas as tropas americanas foram retiradas. Embora o Presidente Nixon tenha aparentemente assegurado ao governo de Thieu que forças americanas manteriam apoio em um eventual rompimento do acordo de paz. Futuras assistências ao Sul ficaram politicamente impossíveis. Uma das razões para isso foi o escândalo de "Watergate" .
Dia 30 de abril de 1975, a capital Saigon foi capturada e a República do Vietnã rendeu-se incondicionalmente para o Governo Provisório Revolucionário.
O uso intensivo de Napalm (bomba incendiária) matou milhares de civis. O emprego de desfoliantes, como o agente laranja, além de acabar com a vida humana, destruiu o meio ambiente de um país essencialmente agrícola. Vietnã foi vastamente destruído.
Kim Phuc
Kim Phuc
A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens da Guerra do Vietnã. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim Phuc é Embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO. Ela contou à BBC sua experiência:
"Em 1972, os americanos lançaram uma bomba de napalm em meu povoado, no sul do Vietnã. Um fotógrafo, Nick Ut, tirou uma foto minha fugindo do fogo, a foto que hoje é tão famosa. Eu me lembro que tinha 9 anos, era apenas uma menina. Naquela noite, nós do povoado havíamos ouvido que os vietcongues estavam vindo e que eles queriam usar a vila como base. Então, quando já era dia, eles vieram e iniciaram os combates no povoado. Nós estávamos muito assustados. Eu me lembro que minha família decidiu procurar abrigo em um templo, porque nós acreditávamos que lá era um lugar sagrado. Nós acreditávamos que, se nos escondêssemos lá, estaríamos a salvo. Eu não cheguei a ver a explosão da bomba de napalm; só me lembro que, de repente, eu vi o fogo me cercando. De repente, minhas roupas todas pegaram fogo, e eu sentia as chamas queimando meu corpo, especialmente meu braço. Naquele momento, passou pela minha cabeça que eu ficaria feia por causa das queimaduras, que eu não ia mais ser uma criança como as outras. Eu estava apavorada, porque de repente não vi mais ninguém perto de mim, só fogo e fumaça. Eu estava chorando e, milagrosamente, ao correr meus pés não ficaram queimados. Só sei que eu comecei a correr, correr e correr. Meus pais não conseguiriam escapar do fogo, então eles decidiram voltar para o templo e continuar abrigados por lá. Minha tia e dois de meus primos morreram. Um deles tinha 3 anos e o outro só 9 meses, eram dois bebês. Então, eu atravessei o fogo."
Queimaduras...
"O fotógrafo Nick Ut nos levou para um hospital das redondezas.
Assim que ele nos deixou lá, foi para uma sala escura revelar as fotos.
Depois, me falaram que eu e as outras pessoas feridas seriam transferidas para o hospital de Saigon. Dois dias depois, meus pais me encontraram no hospital. Eu passei bastante tempo no hospital: 14 meses. Os médicos fizeram 17 cirurgias para curar as queimaduras de primeiro grau. Metade do meu corpo ficou queimado.

Aquele foi um momento decisivo na minha vida. A partir daí, eu comecei a sonhar em como ajudar outras pessoas. Meus pais guardaram a foto, que tinha saído num jornal, e depois a mostraram para mim. "Esta é você, quando você estava ferida", disseram eles. Eu não consegui acreditar que era eu, era uma foto aterrorizante.

Eu acho que todas as pessoas deveriam ver essa foto, mesmo hoje, porque mostra claramente como uma guerra é terrível para as crianças. Você pode ver o terror no meu rosto. Basta ver a foto, para as pessoas aprenderem."

Resultado da Guerra
(conclusão)
Resultados da Guerra: 2 milhões de vietnamitas foram mortos, 3 milhões de feridos e inválidos, e centenas de milhares de crianças órfãos. Além dos 12 milhões de refugiados.
Baixas americanas: 57.685 KIAs (mortos), 153.303 feridos e inválidos, 587 POWs (prisioneiros de guerra) e 2.500 MIAs - soldados perdidos em ação.
A Guerra do Vietnã foi a primeira guerra televisionada em toda sua brutalidade. Os americanos sentiam o cheiro de sangue dentro de suas casas, viam seus filhos morrerem inutilmente... Esse é um dos fatores contribuintes para a horrenda "fama" da Guerra do Vietnã. Como pudemos ver, os Vietcongs apenas defenderam seus direitos naturais de vida.
Não fechemos os olhos para uma parte tão presente da nossa história, pois a Guerra do Vietnã envolve não somente americanos e vietnamitas, mas todos os seres humanos.
A luta pela liberdade de expressão, pelo direito de vida livre, foi e sempre será uma das características mais bela e humana do homem.
Na Guerra do Vietnã, não houve vencedores, assim como em todas as Guerras. O que fica é a dor da partida prematura, angústia, destruição e morte.
Perdeu o povo Vietnamita: milhões de mortos, inválidos e feridos. Centenas de milhares de órfãos, vilas destruídas, famílias brutalmente aniquiladas. Um país muito pobre, tornou-se um país miserável.
Perdeu o povo Americano, pois milhares de famílias tiveram seus filhos ceifados em sua tenra juventude. A insana brutalidade dos campos de batalha foi presenciada pelos lares da América, dentro do coração das pessoas...
Dor, sofrimento, pavor. Vietnã, a luta pela vida, nas províncias e campos manchados com sangue inocente, ainda é uma ferida aberta para toda a humanidade.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A Problemática do Futebol em Angola (Caso Concreto na Selecção Nacional)


ÍNDICE

 

DEDICATÓRIA                                                                      2

AGRADECIMENTOS                                                            3

INTRODUÇÃO                                                                       4

CAPÍTULO I – A PROBLEMÁTICA                                              5

1.1.                   Formulação Do Problema                                         5

1.2.                  Importância do Estudo                                                         7

1.3.                  Objectivos do Estudo                                                  8

1.3.1.           Objectivos Gerais                                                                 8

1.3.2.           Objectivos Específicos                                                 8

1.4.                  Formulação das hipóteses                                          9

1.5.                  Delimitação e limitação do Estudo                             9

CAPÍTULO II- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA                 10

2.1. Definição de Termos e conceitos                                               10

2.2. Fundamentação teorica                                                    11

2.2.1. O futebol                                                                        11

2.3. A importância da Psicologia no Desporto                        12

2.4. Selecção Nacional. Uma forma

de subsistência dos jogadores                                                 14

2.5. Factor dinheiro na boa prestação de uma selecção                  15

2.6. A influência da idade no futebol                                       16

2.7.  Revisão Bibliográfica                                                      16

CONCLUSÃO                                                                         18

BIBLIOGRAFIA                                                                     19

 

 

 

 

 

DEDICATÓRIA

Este trabalho é dedicado a todos nossos familiares e pessoas intimamente ligadas às nossas vidas, que no período de desenvolvimento deste trabalho nos ajudaram com paciência, carinho e compreensão, demonstrando que a superação nos momentos difíceis vale a pena, por estarmos ao lado de quem realmente se importa com nosso sucesso.






















AGRADECIMENTOS

A Deus Pai Todo Poderoso, pela sua graça e Protecção. Ao professor Eugénio Tomé, pela orientação e pelo constante estímulo transmitido durante todo o trabalho. Agradecemos pela colaboração do IMNE MARISTA que disponibilizou diversos materiais, viabilizando a elaboração deste trabalho.
Aos profissionais do sector que dedicaram parte de seu tempo para nos transmitir os conhecimentos necessários. Dentre eles, agradecemos ao
Técnico Zeca Gamboa, Ninoy Zola e Manzueto Dos Santos.
Aos amigos, familiares, colegas de trabalho e de Escola e a todos que colaboraram directa ou indirectamente com a execução deste trabalho.



















INTRODUÇÃO

Neste trabalho de Investigação Científica vamos abordar sobre o Futebol em Angola, de como tem actualmente pondo as diferenças evidentes e os principais factores que se têm contra pondo no bem-estar deste.
O contexto desportivo, hoje em dia, obriga a uma cada vez maior especialização, tanto ao nível dos praticantes, como dos recursos humanos envolventes. A perspectiva do desporto como mais um elemento do quotidiano desapareceu. O desporto, tal como outras áreas (empresarial, cultural, social, etc.), entrou na era da cientificidade. Ou seja, tudo aquilo que se perspective como ideal para a optimização do rendimento e bem-estar poderá ser aplicado ao desporto.
No mundo do futebol há muitos factores, que quando mal geridos, identificam-se como grandes inimigos para o sucesso da actividade. Desta forma procuraremos buscar as referidas respostas e possíveis soluções para dar vida à nossa pesquisa.
É comum dizer-se que Angola tem um encanto especial para o futebol. Mesmo quem nunca cá esteve idealiza ritmos, sabores e o diferente formas do futebol; sabe que as pessoas têm mais verdade e as oportunidades estão ao virar da esquina. Convencionou-se mais recentemente falar de Angola como país de futuro, de um futuro que nasceu de um passado cravejado de feridas de guerra, mas ainda assim promissor.
O presente trabalho está estruturado de acordo com duas instâncias fundamentais (correspondentes aos seus dois capítulos):
No primeiro capítulo (enquadramento teórico da temática) faz-se referência a situação do tema no que se refere à sua percepção e observação no senso comum. 
No segundo capítulo (clarificação de conceitos) é indicado ao esclarecimento de termos que se identificaram como chaves para a relação de pais e filhos.

CAPÍTULO I – A PROBLEMÁTICA

1.1.                   Formulação Do Problema

Os problemas que dizem respeito ao futebol angolano têm preocupado bastante a nossa sociedade e os amantes da modalidade rainha.
Afirma – se que os principais problemas com que o futebol angolano se depara, que se arrasta faz tempo e que interfere no nível da Prestação da Selecção Nacional, está ligada a fraca qualidade de alguns jogadores que actuam no estrangeiro, com destaque para a Europa.
Conta – se com os dedos da mão a quantidade de jogadores angolanos que conseguem impor – se em equipas da primeira divisão dos campeonatos europeus, onde o nível de competitividade é de reconhecida qualidade devido a má orientação e acompanhamento de que são alvos por parte de seus agentes, na maioria estrangeiros que se preocupam antes de tudo em embolsar as respectivas comissões.
Em função do que atrás está escrito, uma significativa quantidade de jogadores angolanos vêm – se obrigados a optar por equipas da 2ª ou 3ª divisão, os quais nem sempre são bem sucedidos, ao serem sempre postos no banco de suplentes ou mesmo não são convocados para os jogos.
Alguns futebolistas nacionais têm sido alvos de alguns clubes europeus, é necessário que os Agentes FIFA nacionais, embora ainda adormecidos consigam enquadrar – se no mercado Internacional, onde, de certeza além e melhores condições de trabalho e de desenvolvimento profissional, factores que influenciam de forma positiva no desempenho das selecções nacionais.
Aida que aconteçam transferênciasde atletas a custo zero, o que tem aumentado um pouco por todo o lado, o que implica que não beneficiam de respectiva comissão financeira, em geral, estipulada a 10%b do montante envolvido. O Agente deve manter a sua condição de profissional, acompanhando o negocio até a sua concretização, o que em muitos casos não acontece. Não apenas no que se refere a legislação e fiscalização da obrigatoriedade dos clubes nacionais, principalmente os da primeira divisão, de completarem nos seus organigramas os escalões etários (iniciados, infantis, juvenis, júnior e sénior). As condições de trabalho (Técnicos capacitados, campos e material desportivo aceitáveis) adequadas. O Executivo,nestecaso  FAF, por intermédio das estruturas do Ministério da Juventude e Desporto, é chamado a desempenhar um papel mais actuante.
Costumamos a verificar que a Selecção Nacional de Angola tem estado a trocar sempre de Técnico, podemos afirmar, sem medo de errar que o conhecimento mútuo entre Técnico e Jogador é um papel muito importante para a obtenção de bons resultados. Com base neste aspecto temos visto que os Treinadores fazem contratações para a Selecção Nacional absurdas, quando tinha de convocar um jogador mais experiente convoca outro pouco experiente. E todo mundo sabe que os Técnicos que têm estado a alcançar bons resultados na Selecção Nacional são os Técnicos Angolanos, sendo assim, o que acima  foi descrito comprova – se. Uma vez  que tais Técnicos sabem qual é a realidade do Futebol Nacional e também conhecem o comportamento e desempenho dos jogadores Nacionais. A Psicologia do Desporto nos ensina que tal conhecimento mútuo é um processo que não se alcança a curto prazo, mas sim a longo prazo.
O futebol angolano carece de boa organização. São precisas boas infra-estruturas, mas também pessoas competentes para dirigir essas infra-estruturas. Falta capacidade às pessoas que estão à frente dos clubes. Muitos miúdos vão treinar sem comer e não estudam. Saindo do treino, vão para a rua[1].
África é um mar de exemplos que podem ser aproveitados pelos angolanos. Entre outros, convém recordar o facto de o Governo do Gana ter autorizado a construção no seu território, pelo Manchester United da Inglaterra, de uma Academia regional, cujo objectivo consiste em pesquizar e fazer a triagem de crianças e adolescentes de vários países africanos, para receberem formação nas escolas do Clube na Cidade de Londres.
As Federações do Gana e Nigéria, por intermédio das homoglas do Reino Unido e dos Países Baixos, possuem convénios com o Manchester United e Ajax de Amsterdão, que se traduzem no envio de crianças e adolescentes para as respectivas academias, onde para alem da vertente futebolístico – desportista e porque o vector idioma assim o permite, dão continuidade aos estudos académicos por intermédiode bolsas de estudo consignadas em tais acordos[2].
Neste particular, os agentes FIFA nacionais são também chamados a Intervir.
Perante esse quadro, colocamos as seguintes questões:
ü Quais os factores que estão na base dos maus resultados do futebol nacional?
ü Só os Técnicos Nacionais conseguem alcançar bons resultados?
ü Apenas os jogadores bem formados academicamente conseguem se enquadrar na Selecção Nacional?
ü Qual é o papel que os Agentes FIFA Nacionais para a sondagem de jogadores para a Selecção Nacional?

1.2.                  Importância do Estudo

É bastante desconfortável saber que o nosso futebol vai de mal a pior, então surge-nos o interesse de saber os verdadeiros factores que estão na base desta mudança brusca.
Estudar a problemática do futebol angolano é bastante importante, quando estamos inseridos numa sociedade especificamente no Marçal onde os jovens têm forte inclinação à prática da modalidade. É muito preocupante estudar o futebol angolano porque este se encontra em grande declínio.
Pretendemos com este trabalho abrir um espaço de reflexões acerca do futebol nacional, que muito tem preocupado os profissionais ligados directa ou indirectamente a esta área.
Os leitores, tembém terão noção do dinamismo dos empresáriosdo mundo do futebol, pelo facto de o desporto, principalmente a “modalidade rainha”constituium negócio que envolve montantes financeiros elevados.
Nossa inquietação a respeito desse tema é que tem – se visto notavelmente que o futebol Nacional está a cair em declínio, e este factor condiciona de forma muito grande a prestação da Selecção Nacional. Pensamos que este estudo pode servir de bases para discussões acerca do porquê que o patamar do futebol angolano estar tão baixo, mesmo quando temos tido muitas infra – estruturas desportivas, mais motivação nos jovens e crianças para jogar futebol, visto também que trata – se da modalidade rainha.
Hoje em dia todo mundo quer saber da realidade desportiva em geral e em especial ao futebol. A mesmo tempo que interessam –se em saber qual a realidade do futebol do país. Com este, pretendemos levar dar a sociedade ideias oureflexões acerca de como está o Futebol Nacional, o porquê dos maus resultados e principalmente o que se está a fazer para atenuar tal situação.

1.3.                  Objectivos do Estudo

Sabemos que não existe Trabalho Científico sem Objectivos, deste modo, expressaremos os Objectivos concernentes as exigências deste trabalho. Para o estudo que pretendemos concretizar, elaboramos os seguintes objectivos:

1.3.1.           Objectivos Gerais

ü Compreender a problemática da situação actual do futebol em Angola.
ü Procurar bases solidas para atenuar a situação actual do futebol em Angola.

1.3.2.           Objectivos Específicos

ü Apresentar questões relativas ao melhoramento do nosso futebol;
ü Identificar os problemas do futebol angolano;
ü Apresentar soluções referentes aos problemas do futebol Nacional;
ü Valorizar os talentos do futebol Nacional.

1.4.                  Formulação das hipóteses

Todo projecto de pesquisa deve apresentar uma ou mais hipóteses que formam possíveis soluções para o problema delimitado e formulado. Desta forma, escolhemos as seguintes hipoteses para o nosso problema:

A falta de formação desportivo – pedagógico como também académica dos jogadores nacionais têm gerado os maus resultados;
H1: Falta de oportunidades aos jogdores talentosos;
H2: Alguns dos agentes dos nossos jogadores não se interessam com o contrato a custo zero, visto que não se beneficiarão em dinheiro;
H3: Só os jogadores com formação académico – desportiva conseguem alcançar bons resultados;
H4: A relação Técnico – Jogador é um papel primordial para a obtenção de bons resultados;
H5: É mais eficaz manter um Técnico Nacional no comando da Selecção Nacional e mais desastroso manter um Técnico Estrangeiro.

1.5.                  Delimitação e limitação do Estudo

A limitação do presente estudo está relacionada aos erros que podemos cometer involuntariamente, tendo em conta as técnicas utilizadas na colheita dos dados, cingimos – nos na unidade de 25 elementos, a jovens dos 18 aos 35 anos de idade.
Por este motivo gostaríamos antecipadamente de pedir aos nossos leitores que considerem os resultados com toda cautela cientifica.
Delimitamos os nossos estudos no escalão sénior do futebol angolano e trabalhamos com pessoas referentes a este escalão, sendo eles a população alvo do nosso estudo.

 

 

 

CAPÍTULO II- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Definição de Termos e conceitos

- Equipa, é o termo utilizado para caracterizar um grupo de pessoas que se junta para alcançar um objectivo em comum.
Equipa é um pequeno grupo de pessoas com habilidades complementares, que trabalham juntas com o fim de atingir um propósito comum; pelo qual se consideram colectivamente responsáveis. (TAHAN, 1967. p112).
- Desporto é a prática de exercícios próprios para desenvolver o vigor e a agilida.
Desporto é um elemento cultural diferenciado, com grande abrangência e dependênciais, é componente da cultura universal que alia a saúde à alegria. (FLÁVIO, 1988, p223).
- Futebol, é um desporto de equipe jogado entre duas equipas de 11 jogadores cada um e um árbitro que se ocupa da correta aplicação das normas.
Futebol é o desporto mais popular do mundo. Possui papel fundamental na sociedade capitalista, movimentando trilhões de dólares por ano. Cada vez mais, esse desporto internacional ganha novos adeptos, aumentando a atenção da mídia e o interesse de uma infinidades de pessoas do mundo inteiro. (WAHL, 2002, p39).
- Futebolista é aquele que prática o futebol em qualquer das formas.
Futebolista como sendo o profissional cujo ofício é a prática do desporto colectivo do futebol. Estes trabalhadores são contratados por clubes de futebol e, por depender do dispêndio físico, têm carreiras de curta duração. (ROBERTO, 2007, p150).
- Jogo, associa – se a este termo como sendo toda e qualquer actividade em que exista a figura do jogador (como indivíduo praticante do jogo) e para ele, são criadas as regras que podem ser para ambiente restrito ou livre.
Jogo é a actividade recreativa em que participa(m) um ou mais participantes. A sua principal função consiste em proporcionar entretenimento, lazer e diversão, embora também possa assumir um papel educativo. (PEDRO, 2009, p23).
- Treinador é o indivíduo responsável pela coordenação e direcção das actividades de uma equipa ou de apenas um atleta.
Treinador como uma figura essencial na vida de qualquer atleta e, muitas vezes, tem a responsabilidade de os preparar psicologicamente. Não duvidemos de que o treinador tem que saber muito de psicologia para ser bem sucedido. (PEDRO, 2004, p5).

2.2. Fundamentação teorica

2.2.1. O futebol

O futebol é hoje o desporto mais popular do mundo. São tantas as pessoas, sejam homens, mulheres, adolescentes e crianças das mais variadas idades, todos amantes do futebol, que seu número ultrapassa em muito a soma total dos envolvidos com as demais competições desportivas existentes no mundo.
Como outro referencial na valorização do futebol como desporto, vale lembrar que existem mais países filiados à FIFA, do que associados à Organização das Nações Unidas, ONU.
Na mesma linha de valorização, não se pode esquecer que o evento desportivo mais lucrativo no mundo é a Campeonato Mundial de Futebol, que ocorre de quatro em quatro anos e é acompanhada por mais da metade da população global. Esse desporto movimenta anualmente quantias imensuráveis de dólares, com contractos milionários, patrocínios, mídia, transacções de jogadores e técnicos, além de ser também fonte de referência para políticos. Por tudo isso que o futebol impacta nas diversas sociedades, pela valorização dada aos atletas nos diversos meios e pela importância dos impactos que acabam incidindo na economia de um país como o Angola, entende-se fundamental a necessidade de maior atenção aos principais actores desse negócio - jogadores de futebol - trabalhando as suas competências psicológicas, nas mais variadas funções, com diversos tipos de jogadores e suas personalidades e formação cultural. ... “Quem quer que esteja fisicamente bem preparado pode fazer coisas incríveis com seu corpo; mas quem junta a um corpo em forma e uma cabeça bem cuidada é capaz de efeitos excepcionais...” [3]
O futebol exerce fascínio sobre os torcedores, que se posicionam de diferentes formas quando vão aos estádios: alguns vão como se fossem aos campos de batalha, enquanto outros vão para um espectáculo, onde os atletas “desfilam” suas competências. Assim, o modo como os atletas se posicionam em campo, tem importante reflexo sobre os torcedores. Como exemplo, quando se consegue formar uma equipa com jogadores possuidores de “alma de guerreiro” e com qualidades físicas e psicológicas ideais, tem-se o conjunto que atrai imensa plateiaque se identifica com a sua equipa. Dificilmente se consegue um conjunto que vista essa “camisa” de luta, dedicação e empenho; a história mostra que as equipas que conseguiram unir e desenvolver essas competências fizeram grande diferença na história do futebol.
Os jogadores vão aos jogos conhecendo as exigências da sua torcida e mostram as mais variadas reacções: uns se escondem no jogo mesmo possuindo alta competência técnica, porém com baixa competência psicológica; outros se agigantam diante de suas deficiências técnicas, trabalhando melhor suas emoções.
É justamente a somatória desses aspectos psicológicos que explica o comportamento dos craques do futebol, seja pela omissão, pela coragem e pela superação, independentemente de seu talento.

2.3. - A importância da Psicologia no Desporto

Os âmbitos e contextos de prática e intervenção vão muito além do desporto de elite, ou seja, passam pelo desporto de crianças e jovens (iniciação e especialização desportiva), pelo desporto sénior, pelo desporto e actividade física de recreação e lazer, pelo desporto e actividade física de pessoas com necessidades especiais, exercício e saúde, etc. E as pessoas alvo de intervenção poderão provir dos mais variados contextos do desporto e actividade física, tais como, atletas, treinadores, dirigentes, árbitros, e os pais das crianças e jovens atletas. Estas populações têm, obviamente, características e necessidades próprias, e que a Psicologia Desportiva direcciona a intervenção também especifica para cada um destes indivíduos[4].
Cada profissão tem um potencial para gerar dificuldades ou transtornos e o futebol não foge à regra. Na formação do profissional do desporto, aspectos como insegurança, medos, ansiedades, stress e somatizações, são factores de potenciais impactos sobre o desempenho do atleta.
Quando se encara o desportista como portador de dificuldades, pode-se compreender suas disfunções próprias e suas disfunções no mundo esportivo, sendo que essa visão estende-se ao treinador da equipe onde o atleta participa.
Os factores psicológicos sãotreináveis, tais como, os factores físicos, técnicos e tácticos.
Por conseguinte, o psicólogo, tal como o preparador físico, o fisioterapeuta, o médico ou o roupeiro deverá trabalhar em consonância com o treinador. A avaliação das necessidades depende de factores situacionais que deverão ser identificados e trabalhados. Algumas das habilidades psicológicas básicas mais comummente trabalhadas directamente com os atletas são as seguintes: nível de activação, atenção e concentração, motivação e autoconfiança, controlo emocional, tomada de decisão, estratégias de confronto competitivo e relações interpessoais.
Algumas destas características poderão ser trabalhadas individualmente ou em grupo.
Por outro lado, o psicólogo poderá realizar uma intervenção indirecta. Isto é, o psicólogo intervém junto do treinador, de forma a criar um ambiente psicológico positivo, que propicie a optimização do rendimento e bem-estar da equipa. Neste caso, a intervenção dirigir-se-á para a optimização de componentes como a liderança, a comunicação, e a motivação no treinador (ex.: organização das palestras, comunicação nos treinos e jogos, relação com a imprensa, etc.)[5].

2.4. - Selecção Nacional. Uma forma de subsistência dos jogadores

Todos jogadores esperam defender bem as cores da bandeira de seus países atendendo às exigências de serem seleccionados para uma selecção, os jogadores procuram dar o seu melhor, dia pois dia, a fim de despertar atenção do público, visando uma possível convocatória do mesmo por parte do seleccionador.
Esta prática na sociedade (Africana) virou ”maninha” pois, verifica-se em muitos países de Africa, tais como: Congo, Guine Bissau, Costa do Marfim ate mesmo no nosso país.Jogadores com interesse de estar na selecção, com objectivo de ganharem fundos param a sua subsistência. Isso acontie-se, pelo facto dos nossos clubes não pagarem bem os jogadores, muitos preferem jogar fora (Europa) e quando lhes são dadas oportunidades de estar numa selecção, sentem-se muitos honrados, não pelo facto de defenderem bem as cores da bandeira em seus países mas, pelo dinheiro que lhes vão dar, a fim descobrirem algumas necessidades financeiras.
Estas práticas não são muito boas e benéficas para uma selecção que espera trabalhar em grupo e defender o nome da pátria, porque a intenção do jogador será o dinheiro, e quando as vezes falha, o jogar ficadesanimado. Portanto, antes de se ir à uma selecção cujo objectivo é contribuir para a boa prestação da selecção nos campeonatos, deve-se primeiramente pôr em causa o factor pátria, que não quer dizer que os jogadores deverão ficar privados dos seus direitos de serem bem pagos.

2.5.  Factor dinheiro na boa prestação de uma selecção

A cada dia que passa as tecnologias avançam e o mundo desportivo não podia ficar de fora. Actualmente o dinheiro ou fundo no cofre de uma selecção é muito determinante para o seu desenvolvimento em qualquer competição que a mesma for participar. Pois, as selecções precisam de um avião para fazer viagens internacionais, dinheiro para hospedarem-se em melhores hotéis, para garantirem a alimentação no seio dos atletas, para fazerem jogos de preparação com outras selecções, para comprarem bolas e outros matérias desportivos e para pagar bem os atletas, quer no salário como em prémios de jogos.
Estes valores vêm do cofre do estado de cada selecção, no entanto, uma selecção sem essas condições, actualmente não entrará preparada na competição, nem sequer para fazer jogos amistosos. Verificamos realmente no CAN de 2010, realizado em Angola a selecção do Mali com sérios problemas financeiros e por isso, tive uma prestação não muito favorável, salvo o jogo contra a selecção de Angola.

2.6.  A influência da idade no futebol

O sonho de qualquer jogador africano e não só, é jogar no velho continente (Europa), atendendo a atenção do mundo desportivo, que esta toda virada para lá, o bom pagamento de verbas mensais e o bom nome que poderá deixar ao longo dos anos. Não poderia ficar de fora as exigências em termos de idade, que já se tornou um facto. Atendendo à rapidez, experiência e a velocidade que o futebol oferece, muitos clubes preferem jovens com idade compreendidas entre os 17 anos aos 21 anos de idade.
Actualmente alaga-se que uma selecção com jogadores elevadíssimos em termos de idades causa muitas baixas e desavença futebolística.
Verificou-se no C.A.N de 2012, a Zâmbia tinha jogadores muito jovens que em campo pareciam incansáveis, já a nossa selecção com jogadores mais velhos que pareciam sem vontade de estarem em campo, pois, a resistência já não era a mesma.
Também constatava-se em muitos campeonatos, como a campeões, o gira bola (Angola)equipas com jogadores mais velhos não conseguem bons êxitos.
Angola, que teve um dissabor para os angolanos que ficou conhecido na história do futebol africano, “ o jogo do 4 a 4”. E também tivemos o privilégio de acompanhar a selecção da Zâmbia no CAN de 2012, na qual consagrou-se campeã, um investimento na parte do governo zambiano orçado aproximadamente em 100.000.000USD, para a manutenção e restauração da sua selecção, chegando mesmo a conquistar o trofeu, tantas outras também investiram e tiveram bons resultados.
Na verdade não haverá boa prestação de uma selecção numa competição actualmente sem condições financeiras. Pois, não estará preparada para acender as exigências estabelecidas. Comprova-se que o dinheiro tem uma força significativa no avanço de qualquer selecção.

2.7. Revisão Bibliográfica
Para a efectivação do nosso trabalho de investigação, consultamos várias obras de teses já defendidas e algumas obras que serviram de referência para o nosso trabalho, consultamos também alguns livros que serviram para o mesmo fim, a internet também teve um papel muito importante. O que foi descrito, serviram – nos apenas como orientação metodológica, assim sendo, eis algumas das fontes pesquisadas:
Livro de Pedro Teques, com o Título “A importância da Psicologia no Desporto”, onde aborda questões que dizem respeito a Psicologia e o Desporto, e como o primeiro pode influenciar positiva ou negativamente o segundo.
Depoimento de Sérgio Pires, dado ao Site da Angola Digital (www.angoladigital.net) acerca do Futebol Angolano.
Algum depoimento de Júlio César de Mello acerca de como ser um Bom treinador de futebol, no livro “A arte de ser um perfeito mau Treinador”.



























CONCLUSÃO

Após a análise e interpretação dos dados conseguidos que por uma serie de questões indicadas aos jogadores e técnicos de educação, concluímos que as hipóteses que foram inicialmente propostas foram confirmadas.
- A falta de formação desportivo – pedagógico como também académica dos jogadores nacionais faz com que eles obtêm pouco desenvolvimento físico, intelectual e acima de tudo profissional. Assim, pouco aprendem acerca dos métodos e procedimentos para alcançar bons resultados.
- É lamentável a falta de aposta dos clubes angolanos no futebol de formação, considerando que existe um enorme potencial a ser explorado, mas que está a ser desaproveitado.
- O futebol angolano tem todas as potencialidades para ser desenvolvido. É necessário melhorar as infra-estruturas de todas as equipas e não só de algumas. Era importante começar a pensar na formação, que é a grande pecha.
- Temos jogadores com um potencial enorme, mas com uma formação muito fraca, em termos tácticos e de organização. Enquanto o futebol angolano não apostar na formação, vai ter algumas dificuldades. No dia em que as pessoas apostarem na formação, o futebol angolano vai evoluir muito
- Desta feita, como demonstramos desde o princípio, a  formaçãoacadémico – desportiva apresenta-se como elemento essencial para o sucesso ou fracasso de qualquer equipa.






BIBLIOGRAFIA
·     BRANDÃO, M.R.F.; Machado, A.A. Colecção Psicologia do Desporto e do Exercício – Teoria e Aplicação, V. 1. São Paulo: Atheneu Editora, 2007.
·     DRUMMOND, Roberto. Uma Paixão Em Preto e Branco; Vol. Nº 1; 2007 - 1ª Ed., Editora: Editora: Leitura, 168P.
·     FERREIRA, A. B. H. Aurélio século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2128p.
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[1] JORNAL DE DESPORTOS, 29-04-12, p12
[2] PIRES, Sérgio. «O Futebol angolano locomove-se a todo o vapor»; Angola Digital; 29 de Fevereiro de 2008.www.angoladigital.net, Consultado em 20/09/2012.
[3] (POPOV, apud FLEURY, 1998).
[4] BRANDÃO, M.R.F.; Machado, A.A. Colecção Psicologia do Desporto e do Exercício – Teoria e Aplicação, V. 1. São Paulo: Atheneu Editora, 2007.

[5] TEQUES, Pedro. “A importância da Psicologia no Desporto”. Vol. Nº 2. 2004. 1ª Edição, Porto Editora, p29.